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quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Lia Luft, em seu livro “As meninas,” abre sua narrativa com algo muito pertinente sobre o mês de dezembro dizendo que este cheirava a pêssego.
Pêssego é uma fruta sinestésica.
O aveludado de sua pele o faz uma fruta quase carnal.
Seu suco é um néctar supra-sumo que sacia.
Seu aroma inebria.
Um pêssego não se come.. se  sorve.
À dezembro cabe encerrar um ciclo que trouxe momentos de alegria, de grandes realizações, mas também de adversidades, momentos de muita tristeza como é peculiar e intrínseco a cada um. Dezembro é como o epílogo de um livro que narrou perda, dores, satisfação e louros resumidos em seu desfecho.
No entanto, também não deixa de ser como um prólogo de um novo livro a ser escrito nos doze próximos capítulos e impressos em cada página da vida. Que gosto terão?

O pêssego talvez seja um regalo dos deuses (?), uma oferenda invertida destes para os homens emprestando a este último mês do ano um cheiro, um gosto de esperança como um... - não desista... pois por mais insondáveis que sejam os dias, ainda assim, existirão outros dezembros com cheiro de pêssegos no ar. 

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